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Quando um pai desautoriza o outro: quais os impactos para os filhos?

Quando um pai desautoriza o outro: quais os impactos para os filhos?

Criar um filho exige decisões diárias. Em algum momento, é natural que pai e mãe tenham opiniões diferentes sobre regras, limites, rotina, uso de telas, escola ou a forma de lidar com determinados comportamentos.

Discordar faz parte de qualquer relacionamento.

O problema não está nas diferenças.

O problema começa quando essas diferenças acontecem na frente dos filhos e um dos pais desautoriza constantemente o outro.

Situações como essa são mais comuns do que parecem.

Um dos pais estabelece um limite e, logo em seguida, o outro diz:

“Deixa, não precisa disso.”

Ou promete algo que já havia sido negado.

Ou critica a decisão do parceiro diante da criança.

Embora muitas vezes isso aconteça sem má intenção, essas atitudes podem gerar insegurança para os filhos e enfraquecer a parceria necessária para educá-los.

Pensar diferente não é o problema

Nenhum casal concorda em tudo.

Cada pessoa traz para a parentalidade sua própria história, os valores com os quais foi criada e suas experiências de vida.

Por isso, é esperado que existam opiniões diferentes sobre a educação dos filhos.

O desafio não é eliminar essas diferenças.

É aprender a conversar sobre elas sem transformar a criança em espectadora ou participante do conflito.

O casal pode deixar de existir. O casal parental continua.

Dentro da abordagem sistêmica, fazemos uma distinção importante entre o casal conjugal e o casal parental.

O casal conjugal é formado pela relação afetiva entre duas pessoas.

O casal parental é formado pela responsabilidade compartilhada de cuidar dos filhos.

Mesmo quando existe separação, conflitos ou o fim do relacionamento amoroso, o casal parental continua existindo.

E é justamente essa parceria que oferece segurança emocional às crianças.

Quando um desautoriza o outro, a criança recebe mensagens confusas

As crianças precisam de previsibilidade.

Precisam compreender que existem regras, limites e adultos responsáveis por conduzir a família.

Quando um dos pais desfaz constantemente aquilo que o outro decidiu, a criança pode começar a pensar:

  • “Se meu pai disse não, talvez minha mãe diga sim.”
  • “Se eu insistir bastante, alguém vai mudar de ideia.”
  • “As regras dependem de quem está comigo.”

Sem perceber, os próprios adultos podem incentivar um movimento em que os filhos passam a negociar as regras entre eles.

O impacto vai além da obediência

Muitas pessoas acreditam que o único problema da desautorização é a dificuldade em fazer a criança obedecer.

Mas os efeitos costumam ser mais profundos.

Quando os pais entram em disputa na frente dos filhos, a criança pode sentir:

  • insegurança;
  • ansiedade;
  • dificuldade para compreender os limites;
  • necessidade de escolher um dos pais;
  • culpa por perceber que gera conflitos entre eles.

Nenhuma criança deveria ocupar esse lugar.

Ela precisa sentir que os adultos conseguem assumir a responsabilidade pela educação.

Discordâncias devem acontecer entre os adultos

Isso não significa que um dos pais precise concordar com tudo o que o outro faz.

Existirão momentos em que será necessário rever uma decisão.

Mas essa conversa deve acontecer entre os adultos.

Se um dos pais acredita que determinada consequência foi exagerada, o ideal é conversar em particular e, juntos, decidir qual será a melhor forma de conduzir a situação.

Mais importante do que sempre tomar a decisão perfeita é mostrar aos filhos que os adultos conseguem dialogar com respeito.

O exemplo também educa

As crianças aprendem muito mais observando do que ouvindo.

Quando presenciam pais que conseguem discordar com respeito, negociar e chegar a acordos, desenvolvem referências importantes sobre convivência, comunicação e resolução de conflitos.

Por outro lado, quando crescem em um ambiente onde um adulto desqualifica constantemente o outro, podem aprender que essa é a forma natural de lidar com diferenças.

E quando os pais são separados?

Após a separação, é comum que existam divergências sobre a educação dos filhos.

Ainda assim, é importante lembrar que o fim do relacionamento conjugal não encerra a responsabilidade compartilhada de cuidar das crianças.

Sempre que possível, as decisões relacionadas aos filhos devem ser tomadas com respeito e diálogo.

Quando um dos pais utiliza a criança para contrariar o outro, quem mais sofre costuma ser o próprio filho.

Como fortalecer o casal parental?

Algumas atitudes ajudam a construir uma parceria mais saudável:

  • conversem sobre regras antes de apresentá-las aos filhos;
  • evitem corrigir ou desautorizar o outro na frente da criança;
  • quando houver discordâncias, conversem em um momento reservado;
  • procurem transmitir mensagens coerentes;
  • lembrem-se de que o objetivo não é vencer uma discussão, mas oferecer segurança aos filhos.

Quando buscar ajuda profissional?

Se as diferenças na educação dos filhos se transformaram em discussões constantes, prejudicam a convivência familiar ou dificultam a construção de acordos, a terapia pode ser um espaço importante.

O acompanhamento psicológico ajuda o casal a desenvolver formas mais respeitosas de comunicação, fortalecer a coparentalidade e compreender como determinadas dinâmicas podem estar impactando toda a família.

Buscar ajuda não significa que o casal falhou.

Significa reconhecer que educar um filho é um desafio complexo e que ninguém precisa enfrentá-lo sozinho.

Os filhos não precisam de pais que concordem em tudo

Eles precisam de adultos que consigam lidar com as diferenças sem transformá-las em disputas.

Mais do que observar quem está certo, as crianças observam como os pais se tratam.

É dessa convivência que elas aprendem sobre respeito, diálogo e cooperação.

Porque uma família não se fortalece quando todos pensam igual.

Ela se fortalece quando as diferenças podem ser vividas com maturidade, respeito e o compromisso de caminhar na mesma direção: o cuidado com os filhos.

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