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Seu filho não deve escolher entre o pai e a mãe

Seu filho não deve escolher entre o pai e a mãe

Quando um casal se separa ou vive conflitos frequentes, é natural que emoções como tristeza, raiva, frustração e mágoa façam parte desse processo. No entanto, existe um cuidado que não pode ser perdido de vista: os filhos não devem ser colocados no meio da relação dos pais.

Embora a maioria das famílias não faça isso de forma intencional, algumas atitudes podem levar a criança ou o adolescente a sentir que precisa tomar partido, defender um dos pais ou escolher de que lado ficar.

Frases como:

“Seu pai fez isso com a gente.”

“Sua mãe nunca pensa em ninguém.”

“Você prefere ficar com ele ou comigo?”

Podem parecer desabafos, mas colocam sobre os filhos uma responsabilidade que não pertence a eles.

As crianças precisam do direito de amar pai e mãe sem sentir que estão traindo um deles.

Os filhos não são juízes da relação

Quando um relacionamento termina, cabe aos adultos lidar com as questões do casal.

Os filhos não precisam decidir quem estava certo ou errado.

Também não precisam ouvir detalhes dos conflitos, carregar segredos ou assumir o papel de conselheiros dos pais.

Essa posição costuma gerar um peso emocional muito grande para crianças e adolescentes.

Eles podem sentir que qualquer demonstração de carinho por um dos pais será interpretada como rejeição ao outro.

Amar um não significa amar menos o outro

Uma das maiores angústias vividas por filhos de pais em conflito é a sensação de que precisam dividir sua lealdade.

A criança pode pensar:

  • “Se eu disser que gostei de passear com meu pai, minha mãe vai ficar triste.”
  • “Se eu abraçar minha mãe, meu pai vai achar que prefiro ficar com ela.”

Esse tipo de conflito costuma provocar ansiedade, culpa e insegurança.

A criança passa a administrar as emoções dos adultos quando deveria estar vivendo sua própria infância ou adolescência.

A separação é do casal, não da parentalidade

Dentro da abordagem sistêmica, fazemos uma distinção importante entre casal conjugal e casal parental.

O relacionamento amoroso pode terminar.

Mas a função de pai e mãe permanece.

Sempre que possível, é importante que os adultos consigam separar os conflitos conjugais das responsabilidades relacionadas aos filhos.

A criança precisa perceber que, mesmo vivendo em casas diferentes ou tendo rotinas distintas, continua podendo contar com ambos.

Evite usar seu filho como mensageiro

Uma situação bastante comum acontece quando os pais utilizam a criança para transmitir recados.

Frases como:

“Diz para sua mãe que…”

“Fala para o seu pai que ele esqueceu…”

colocam o filho em uma posição desconfortável.

A comunicação entre os adultos deve acontecer diretamente entre eles.

Isso protege a criança e evita que ela se sinta responsável pelos conflitos.

Cuidado com os comentários negativos

Mesmo quando existe muita mágoa, é importante lembrar que a criança se reconhece em ambos os pais.

Quando um adulto desqualifica constantemente o outro, o filho pode sentir que uma parte de si também está sendo rejeitada.

Isso não significa esconder problemas ou fingir que tudo está bem.

Significa compreender que existem espaços mais adequados para elaborar esses sentimentos.

O adolescente também sofre

Existe uma ideia de que adolescentes lidam melhor com a separação porque já são maiores.

Mas isso nem sempre é verdade.

Embora tenham mais capacidade de compreender a situação, também podem experimentar sentimentos de culpa, lealdade dividida e necessidade de proteger um dos pais.

Além disso, podem se afastar das conversas por não saber como agir diante do conflito.

Como proteger os filhos?

Algumas atitudes fazem diferença:

  • não peça que escolham entre pai e mãe;
  • evite falar mal do outro responsável na frente deles;
  • não utilize os filhos para transmitir mensagens;
  • respeite o vínculo que eles têm com ambos os pais;
  • permita que expressem carinho pelos dois sem culpa.

Essas atitudes ajudam a preservar a segurança emocional das crianças e dos adolescentes.

Quando buscar ajuda profissional?

Se os conflitos entre os pais estão afetando o comportamento dos filhos, gerando sofrimento emocional ou dificultando a convivência familiar, buscar ajuda psicológica pode ser um passo importante.

A terapia pode oferecer um espaço para que cada membro da família compreenda seu papel na dinâmica familiar e encontre formas mais saudáveis de atravessar esse momento.

Também pode ajudar os pais a fortalecerem a coparentalidade, mesmo após o fim do relacionamento conjugal.

Os filhos precisam de liberdade para amar

Independentemente do que aconteceu entre os adultos, os filhos não deveriam carregar o peso de escolher um lado.

Eles precisam sentir que podem amar, conviver e construir uma relação com pai e mãe sem culpa, medo ou necessidade de tomar partido.

Quando os adultos conseguem proteger os filhos dos conflitos do casal, oferecem algo muito maior do que tranquilidade no presente.

Oferecem a segurança emocional necessária para que eles cresçam sabendo que o amor não precisa ser dividido.

Porque uma criança nunca deveria sentir que, para permanecer ligada a um dos pais, precisa abrir mão do outro.

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